Crítica – Projeto Gemini

Desde “O Hobbit – Uma Jornada Inesperada”, o cinema nunca mais soube trabalhar com a tecnologia 3D. Utilizando uma transmissão para as telas, com 48 frames por segundo em suas projeções (um filme comum transmite apenas 24), o longa de Peter Jackson gerou muitas controvérsias devido ao excesso de realismo. Até então, nenhum outro cineasta tentou fazer algo do gênero. Após fracassar com “A Longa Caminhada de Billy Lynn” (que foi o primeiro filme a ser filmado em 4K), o diretor Ang Lee resolveu pegar um projeto que foi engavetado pela Disney, há 20 anos e filmá-lo com uma tecnologia que deixou a citada bem para trás.

Com 120 frames por segundo, o longa “Projeto Gemini” possui essa tecnologia conhecida como 3D+, que é sem duvidas uma das mais realistas criadas. Como os cinemas não estão adaptados para tal, pelo menos no Brasil, todas as salas estão exibindo a versão com 60 frames por segundo (nas versões 3D) e 24 frames (nas versões 2D).

Imagem: Paramount Pictures (Divulgação)

A história mostra um assassino de aluguel, Henry (Will Smith), que logo após realizar um trabalho, acaba descobrindo que sua empresa está realizando uma queima de arquivo, e que ele será o próximo alvo. Porém quem ficou encarregado pela tal, foi seu próprio clone.

Imagem: Paramount Pictures (Divulgação)

Se a tecnologia citada nos primeiros parágrafos, fosse o mérito principal para a qualidade de um longa, sem duvidas “Projeto Gemini” seria o maior filme da história. Mas como isso não se aplica, o roteiro do trio David Benioff, Billy Ray e Darren Lemke procura só uma coisa: divertir o público com cenas de ação e exibir a existência desta nova tecnologia.
Em questão a trama e o desenvolvimento dos personagens, tudo é realmente bastante fraco. Henry é um personagem desinteressante, assim como seu clone, Clive Owen vive um vilão bastante genérico, Mary Elizabeth Winstead e Benedict Wong, não possuem motivos claros de estarem no filme (porque o próprio Will teria competência para segurar tudo sozinho). Além da história ser muito fraquinha e previsível.

Mas como estamos falando de um longa de Ang Lee, a cinematografia do longa é realmente muito boa. É notório todo cuidado que ele possui nas cenas de ação, inclusive em deixar o espectador ciente do que está acontecendo (muitas narrativas acabam mais confundindo o espectador no meio dos embates, do que ajudando). Mas o diretor faz de tudo para tentar causar a sensação de “interação” com o publico (como estamos falando de uma obra feita para ser vista em 3D), que vão desde chamas, bolhas de água e armas sendo apontadas em nossa direção. E isso funciona muito bem, pois literalmente acabamos adentrando mais nos acontecimentos.

“Projeto Gemini” poderia ter sido bem pior, se não fosse o carisma de Will Smith e a técnica inovadora do 3D+.

Gabriel_Fernandes

Gabriel Fernandes: Engenheiro de Computação, Cineasta, Critico de Cinema e agora Radialista na Rádio RVD, resolveu compartilhar seu conhecimento sobre cinema com todos aqueles que apreciam essa sétima arte.