Quem cresceu nos anos 90, começo dos anos 2000, se recorda muito bem do clássico da “Sessão da Tarde”, “A Família Addams”. Uma família que apreciava coisas sombrias, e que entrava em conflito com o comportamento das pessoas comuns, era a principal graça da comédia estrelada por Anjelica Huston e Raul Julia. Inspirado em um seriado dos anos 60, o longa de Barry Sonnenfeld fez mais sucesso do que aquele, pelo qual o inspirou. Eis que quase 30 anos depois do lançamento deste, a franquia foi renascida na forma de animação.

A história tem inicio mostrando o casamento de Gomez e Morticia, e o que os levou a morar na assombrada mansão Addams. Já pulando para os dias atuais, o arco fica sendo basicamente o mesmo do clássico longa de Sonnenfeld: Os Adams entrando em conflito com a sociedade comum, e os problemas da adolescência de seus filhos Feioso e Vandinha.

O roteiro de Matt Lieberman realmente tem algumas boas e divertidas sacadas, além de diversas referências a longas como “It – A Coisa” e “Watchmen: O Filme”. Sim, a animação está hilária, tanto para adultos, quanto para crianças. Com destaque para a personagem Vandinha (ou Wednesday, no original), que possui as melhores tiradas e rouba a cena.
Para os pequenos, a animação mostra muito bem como funciona o esquema de “fake news” via disparo de Whatsapp, e em uma época de polarização, essa explicação tecnológica fica muito bem plausível (ainda mais dentro do contexto da trama).
“A Família Addams” não consegue ser uma animação que supera a qualidade dos longas de Barry Sonnenfeld, mas promove uma nostalgia para conferirmos novamente aos clássicos live-actions.

Gabriel Fernandes: Engenheiro de Computação, Cineasta, Critico de Cinema e agora Radialista na Rádio RVD, resolveu compartilhar seu conhecimento sobre cinema com todos aqueles que apreciam essa sétima arte.
