‘Todo Mundo em Pânico 6’ ignora a cartilha woke e prova que rir de tudo ainda é o melhor

Ao longo dos últimos 25 anos, a franquia “Todo Mundo em Pânico” foi uma verdadeira montanha-russa nos bastidores. Criada pelos irmãos Marlon, Shawn e Keenen Wayans, junto a outros quatro idealizadores, a marca acabou tendo seus direitos tomados pelo então poderoso presidente da Miramax, Harvey Weinstein.

Com a prisão de Weinstein e a venda do estúdio para a Paramount, os irmãos recuperaram o controle da propriedade intelectual e, com isso, puderam encabeçar o sexto capítulo da saga. O filme foi lançado com o propósito de quebrar barreiras do humor em tempos de politicamente correto, principalmente em uma época na qual quase não existem mais novas comédias nas telonas.

A história mostra um grupo de adolescentes e seus pais, que são os protagonistas do original: Cindy (Anna Faris), Brenda (Regina Hall) e Greg (Lochlyn Munro), além de Shorty (Marlon Wayans) e Ray (Shawn Wayans), tendo de fugir dos novos ataques do Ghostface.

O roteiro estabelece as tramas dos personagens como se funcionassem em um conjunto de esquetes, embora a sátira principal seja “Pânico 5”. Mesmo que muitas das piadas em torno das brincadeiras com a produção funcionem, principalmente com a inserção de Doofy (Dave Sheridan), algumas sacadas soam forçadas.

Um exemplo é a participação especial de Teyana Taylor, que brinca com o arco de Samara Weaving em “Pânico 6”, mas parece mais uma piada interna entre os envolvidos do que um convite para o espectador entrar na premissa da obra, de tão artificial que ficou em cena.

A narrativa começa a ganhar mais gás apenas com o surgimento das brincadeiras em torno de títulos como “Premonição”, “Ma”, “Maligno” e até mesmo “A Substância”. Este último rendeu a melhor piada da produção, que nem sequer está presente no material promocional.

Outro tópico positivo é que o roteiro não tem vergonha de fazer piadas com qualquer assunto, pessoa ou polêmica, principalmente se estiverem envoltos no politicamente correto e na lacração. Esses dois temas foram apontados como responsáveis pela comédia ter perdido o seu fôlego recentemente nos cinemas.

Embora o humor seja bastante relativo, é nítido que existem piadas que simplesmente não funcionam por terem sido jogadas de graça na narrativa. É o caso da sátira de “Longlegs: Vínculo Mortal” e “Michael” (que foi divulgada nos comerciais do filme), que, se fossem excluídas da edição final, não fariam a menor falta.

O mesmo vale para o excesso de piadas em torno de Shorty estar sempre drogado ou de Ray demonstrar seus comportamentos sexuais exacerbados. São tiradas que funcionam em alguns momentos, mas não com tanta constância.

Isso sem mencionar que há participações especiais de atores que estiveram nos filmes anteriores que até são divertidas, mas não acrescentam em nada ao humor da história.

No fim das contas, este novo “Todo Mundo em Pânico” pode ser visto como um primo do remake de “Corra que a Polícia Vem Aí!”, funcionando como um breve e necessário suspiro contra o politicamente correto no cinema atual.