
Quando foi lançado no Festival de Veneza, a Sony Pictures fez questão de dar um tratamento para “Amonite” como se fosse um dos carros chefes do estúdio para o Oscar 2021. Fazendo todas as sessões serem em formatos presenciais (ao contrário da maioria que era via streaming), o foco era iniciar uma campanha para as atrizes Kate Winslet e Saorsie Ronan levarem a estatueta. Infelizmente o tiro saiu pela culatra e a produção sequer foi indicada nas categorias técnicas.

Imagem: Sony Pictures (Divulgação)
A história se passa em 1840, na Inglaterra quando a lapidária Mary (Winslet) recebe a visita do casal Roderick (James McArdle) e Charlotte (Ronan), onde aquele demonstra interesse em estudar sua área e acompanhar seus trabalhos. Porém após desavenças com sua esposa, ele a acaba lhe deixando. Mas após ela ficar sem ninguém e com uma forte gripe, acaba sendo acudida por Mary e sentimentos começam a nascer entre as duas.

Imagem: Sony Pictures (Divulgação)
Clichê. Essa é a palavra ideal para definir este trabalho do roteirista e diretor Francis Lee, que literalmente faz uma releitura do sucedido “Retrato de Uma Jovem em Chamas”. Ao invés de pinturas e uma praia francesa, temos pedras e uma praia inglesa, realmente não existem muitas distinções entre ambas as produções. Só que agora estamos falando de um filme que acaba funcionando mais como um sonífero, ao invés de reflexivo (vide o trabalho da cineasta Céline Sciamma).
Apesar de Winslet estar bem em sua caracterização, assim como Ronan, faltou bastante vida é uma marca para ambas transporem seus sentimentos. Porque aqui temos novamente a história da personagem triste, que se apaixona e fica feliz (que é exaustivamente apresentada nos cinemas). Coadjuvantes que poderiam ter sido explorados como a mãe de Mary, Molly (Gemma Jones) e Elizabeth Philpot (Fiona Shaw) sequer são trabalhados devidamente, mesmo tendo duas boas atrizes as vivendo.
“Amonite” acaba sendo mais um filme feito para angariar prêmios, só que devido a um trabalho insosso foi deixado de lado e futuramente será esquecido.

Gabriel Fernandes: Engenheiro de Computação, Cineasta e Critico de Cinema, resolveu compartilhar seu conhecimento sobre cinema com todos aqueles que apreciam essa sétima arte.
