Crítica - Camaleões - Engenharia do Cinema
Em uma era onde raramente a Netflix tem nos entregado bons projetos, “Camaleões” é sem dúvidas um dos grandes lançamentos do selo neste ano. Com um elenco composto por Benicio Del Toro (que também auxiliou no roteiro e produção), Alicia Silverstone (“As Patricinhas de Beverly Hills”) e Justin Timberlake (“A Rede Social”), este é um daqueles suspenses onde até o último segundo, desconfiamos de absolutamente tudo que está sendo mostrado.

Imagem: Netflix (Divulgação)
Sendo encarregado de investigar um misterioso assassinato, o detetive Tom Nichols (Del Toro) começa não só a suspeitar do próprio marido da vítima (Timberlake), como de tudo e todos ao seu redor. E passa a questionar quem realmente está sendo leal.

Imagem: Netflix (Divulgação)
Nos primeiros 15 minutos, parece que iremos acompanhar uma trajetória de suspense simples, previsível e banal, mas quando Del Toro entra em cena, o jogo muda. Devido a sua facilidade em interpretar vilões e mocinhos, não apenas colocamos os coadjuvantes como suspeitos, como também o próprio Tom. E esta dinâmica também é mérito do roteiro que também foi assinado pelo próprio ator citado, em conjunto com Benjamin Brewer e Grant Singer (que também cuida da direção).
Existem algumas breves passagens, pelas quais nos pegamos se perguntando se realmente aquela atitude é aquilo mesmo que estamos pensando, principalmente se aquilo poderá ser fatal para ambos os lados.
Sim, para quem estava na dúvida, a inserção de Alicia Silverstone não é apenas de ser a esposa do Del Toro, mas como um verdadeiro ombro deste na hora de tomada de decisões (mas sem deixar de ser uma suspeita de algo também, mas não irei entrar no mérito de spoilers).
Quanto a Justin Timberlake, digamos que ele está no mesmo patamar da citada (embora ele esteja evoluindo ainda cada vez mais como ator dramático, ao nitidamente transparecer uma persona suspeita de algo, até certo ponto).
“Camaleões” é mais um título de qualidade, que infelizmente a Netflix não demonstrou interesse em divulgar como deveria. Uma pena, mesmo.