Crítica | O Drama

publicado em:2/05/26 11:37 AM por: Gabriel Fernandes Críticas

Pode-se dizer que “O Drama” é um dos maiores sucessos da A24, pois além de estar em um crescente boca a boca entre os espectadores, o título já rendeu US$ 48 milhões mundialmente, com um custo de US$ 28 milhões. Estrelada por Robert Pattinson e Zendaya, que neste ano ainda vão estar juntos em “A Odisséia” e “Duna Parte 3”, a obra de Kristoffer Borgli (“O Homem dos Sonhos”) procura trazer à tona a reflexão de como o comportamento humano pode ser hipócrita dentro do possível, independente das redes sociais.

A história mostra o casal Charlie (Pattinson) e Emma (Zendaya), que vão se casar nos próximos dias e correm para conseguir se preparar para as festividades da cerimônia. Neste meio tempo, durante uma conversa com os padrinhos (Alana Haim e Mamoudou Athie), um detalhe inusitado é revelado e coloca toda a situação em cheque.

Assim como na obra estrelada por Nicolas Cage, Borgli opta por colocar o ser humano diante da possibilidade de um cenário de cultura do cancelamento, e como isso pode ser hipócrita e prejudicial dentro de determinadas situações. Só que, como em uma experiência cinematográfica perfeita acontece quando não sabemos muitas informações sobre o enredo, o marketing da A24/Diamond Films fez jus ao não revelar quase nada da trama em si e a justificativa central para mover a trama.

Mesmo que a abertura aparente ser mais um filme chato e clichê sobre casamentos, onde vemos Charlie chegando de forma atrapalhada em Emma em uma cafeteria, notamos um detalhe em específico que será retratado alguns minutos depois por conta da sutileza levantada por ele por intermédio de enquadramentos e diálogos insistentes em torno deste tópico.

Sem entrar no mérito de spoilers, embora Zendaya entregue mais uma atuação no automático e genérica, o talento de Pattinson consegue se sobressair diante das diversas situações que ele acaba desenvolvendo por conta do seu psicológico. Constantemente o trabalho de Kristoffer Borgli nos faz questionar sobre “o que faríamos na posição dele?”, “será que devemos relevar isso?”, entre outras coisas. 

E é neste tópico que entra um cenário mais inteligente: dentro destes questionamentos é inserida a dose de humor, principalmente em sua interação com Zendaya. que possuí momentos hilários e que foram bem explorados pelo roteiro diante do assunto que está sendo abordado. Mesmo sendo algo extremamente pesado, existe uma leveza em sua concepção que não acaba sendo tão incômoda como parece. 

Como cereja no bolo, os personagens de Alana Haim e Mamoudou Athie funcionam como uma forma de externar os dois lados das consequências da conversa. Mesmo que em momento algum o diretor utilize a internet para representar esse cenário, vemos o tribunal sendo formado pelo próprio casal de padrinhos.

“O Drama” é um sinal de que ainda é possível conceber comédias românticas em pegadas diferentes, sem cair no clichê padrão, e ainda lotar salas de cinema.



Engenheiro de Computação, Jornalista, Cineasta e Critico de Cinema, resolveu compartilhar seu conhecimento sobre cinema com todos aqueles que apreciam essa sétima arte.


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