Crítica – Enquanto Vivo

Certamente este é mais um daqueles filmes que foram produzidos para nós pararmos e pensarmos sobre sobre a vida como um todo, no término de sua exibição. “Enquanto Vivo” foi exibido em 2021 nos Festivais de Cannes e Varilux, mas somente agora está chegando ao grande circuito de exibição comercial no Brasil. Realmente, este tipo de produção requer mais das atuações dos atores, ao invés da construção de seu roteiro, tanto que o ator Benoît Magimel realmente se transformou para viver o enfermo terminal Benjamin Boltanski (o que lhe rendeu um prêmio César de Melhor Ator, neste ano).

Imagem: Bonfilm (Divulgação)

Como dito acima, a história é centrada no professor de teatro Benjamin, que após receber o diagnóstico de câncer terminal, tem sua vida totalmente modificada, assim como sua mãe Crystal (Catherine Deneuve) e seu filho distante Léandre (Oscar Morgan). Porém, como o hospital que ele está residindo possui um tratamento mais humano com seus pacientes, o médico Eddé (Gabriel Sara) e a enfermeira Eugénie (Cécile de France)

Imagem: Bonfilm (Divulgação)

Em sua abertura, o cineasta Emmanuelle Bercot (que também cuida do roteiro com Marcia Romano) opta por mostrar uma roda de médicos comentando sobre experiências delicadas com pacientes, e como eles exercem sua humanidade. Algo que sentimos que será a pegada do longa, porém isso apenas acaba sendo um cenário coadjuvante, já que o protagonismo cai sobre Benjamin e Crystal.    

Enquanto Magimel literalmente consegue se mostrar como uma pessoa realmente doente, à medida que as temporadas avançam (e chega até a assustar), Deneuve mostra a outra parte da doença que é de uma mãe totalmente prejudicada e morrendo junto ao filho. Emoções podem vir à tona diante de algumas cenas dos dois, porém o mesmo não pode-se dizer de Morgan (já que o enredo literalmente lhe coloca como o fruto distante).

O mesmo digo das atuações de Sara e De France. Embora o primeiro ainda tenha alguns momentos sutis, que serão exercidos no decorrer do filme (como o tópico da gravata), a segunda mostra que certamente estava afetada por completo ao vivenciar aquela situação toda. Não irei adentrar em spoilers, mas vendo o filme, vocês irão entender melhor.

Enquanto Vivo” termina sendo um belíssimo longa sobre como devemos perdoar e valorizar as pequenas coisas que acontecem em nossas vidas. Prepare os lenços.  

Gabriel_Fernandes

Gabriel Fernandes: Engenheiro de Computação, Cineasta e Critico de Cinema, resolveu compartilhar seu conhecimento sobre cinema com todos aqueles que apreciam essa sétima arte.