É um fato que ultimamente o cinema nacional (pelo menos em sua maioria), tem tido ideias interessantes para seus longas, mas chega na hora de conceber o roteiro, acaba derrapando para frases ativistas e situações pobres demais. Um caso recente destes problemas foram nítidos em longas como “Marighella” e “Medida Provisória“, que se preocuparam em fazer um discurso que só uma parcela do público acaba comprando e a outra acaba percebendo o quão é pobre isso ser realizado. Em “A Jaula“, temos a mesma situação e realmente chega a um nível preocupante de insanidade.

Imagem: Star Productions (Divulgação)
Baseado no longa argentino “4×4”, a história tem início com o marginal Djalma (Chay Suede), que após arrombar um carro e entrar no mesmo para depreda-lo, acaba notando que ficou preso. Enquanto tenta descobrir uma maneira de escapar do local, ele descobre que caiu em uma “armadilha” do Dr. Henrique Ferrari (Alexandre Nero).

Imagem: Star Productions (Divulgação)
Chega a ser engraçado o quão este roteiro escrito por Mariano Cohn e Gastón Duprat (que também cuidou da função no longa original) tem total preocupação de acreditar que o espectador vai comprar as atitudes do protagonista e o escopo criado pela trama, apenas por conta de frases de efeito e que refletem a realidade brasileira. Não existe um debate plausível, muito menos uma explanação do mesmo de forma que seja mais pé no chão. Tudo acaba beirando de uma maneira porca, esdrúxula e até mesmo com uma pegada pobre de “Jogos Mortais” (mas sem a tensão sanguinolenta).
Datada da situação caótica que se encontra o país, certamente o máximo que pode acontecer é o espectador desistir de continuar vendo o mesmo com 15 minutos de metragem (fazendo assim com que o mesmo seja concluído por uma parcela do público). Sim, é um filme que certamente muitos frames serão recortados futuramente para sediarem debates opostos ao que mesmo quer fazer (uma vez que o enredo defende nitidamente o bandido e transforma a vitima como o verdadeiro vilão, junto da polícia).
“A Jaula” é mais uma nítida prova de projeto do cinema nacional, que precisa ter uma revisão melhor em seu roteiro, antes de ser tirado do papel e apresentado ao público.
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Gabriel Fernandes: Engenheiro de Computação, Cineasta e Critico de Cinema, resolveu compartilhar seu conhecimento sobre cinema com todos aqueles que apreciam essa sétima arte.
