Crítica | A Última Missão - Engenharia do Cinema
Eddie Murphy está, aos poucos, voltando a estrelar grandes produções, muito graças ao sucesso de “Um Príncipe em Nova York 2” e “Um Tira da Pesada 4”. No entanto, seu contrato com a Amazon para a realização de algumas produções para o Prime Video resultou em filmes de qualidade duvidosa.
É o caso de “A Última Missão”, onde, literalmente, os executivos do estúdio parecem ter resgatado um rascunho descartado de outro projeto e pedido aos roteiristas Kevin Burrows e Matt Mider (do divertido “O Pacote”) que acrescentassem alguns detalhes para viabilizar a gravação.
A história gira em torno dos motoristas de carro-forte Russell (Murphy) e Travis (Pete Davidson), que acabam encurralados por um grupo de criminosos durante uma viagem. O que eles não esperavam é que a líder (Keke Palmer) tivesse um plano muito mais complexo do que aparentava.
O diretor Tim Story (dos dois primeiros “Quarteto Fantástico”) é conhecido por conduzir produções genéricas que, embora tenham qualidades pífias, servem para passar o tempo. Aqui, essa lógica também se aplica, mas é impossível ignorar que a trama beira o absurdo: nos dias de hoje, seria tecnicamente inviável algo assim acontecer, já que veículos de transporte de valores são totalmente rastreados e qualquer alteração brusca de rota ou atividade suspeita resultaria em consequências imediatas.
Mesmo que o roteiro apresente desculpas “breves” para justificar tais falhas, as decisões absurdas dos personagens minam a credibilidade. Soma-se a isso o fato de ser evidente que nenhum dos atores está à vontade ou disposto a comprar a premissa, que está no mesmo patamar de um bagaço de laranja.
“A Última Missão” tem como propósito fazer rir, mas essa missão, infelizmente, não foi concluída com sucesso.