Crítica | A Hora do Mal - Engenharia do Cinema

publicado em:11/08/25 12:41 PM por: Gabriel Fernandes CríticasHBO GOStreamingTexto

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O cineasta Zach Cregger chamou a atenção do mundo com seu trabalho em “Noites Brutais”, em 2022. Obviamente, sua obra seguinte teria um foco maior e seria disputada por grandes estúdios de Hollywood, como Universal, Netflix e Warner Bros., que acabou ficando com os direitos.

Após ser elogiado em suas exibições-teste, o estúdio decidiu antecipar o lançamento em cinco meses e disponibilizá-lo nos cinemas neste começo de agosto. Em um período em que o gênero de terror tem se “reciclado” e apresentado produções interessantes, como “Herege” e “A Substância”, “A Hora do Mal” não foge a essa tendência.

Com o sumiço repentino de todas as crianças de uma sala de aula, exceto uma, às 2h17 da madrugada, seus familiares começam a se questionar sobre quem é o verdadeiro culpado. Nesse cenário, acompanhamos diversas histórias paralelas, interligadas diretamente pelo fato.

Cregger, perceptivelmente, presta uma homenagem aos filmes “Magnólia” e às obras de Hitchcock, ao estabelecer tramas que, aos poucos, vão dando sentido ao enredo. No entanto, diferente da obra de Paul Thomas Anderson, ele opta por iniciar pelo arco mais “simples” e avançar gradualmente para os mais densos.

Se, de um lado, temos Justine (Julia Garner, em uma excelente atuação), que sofre e é apontada como a principal suspeita devido ao seu histórico de alcoolismo, de outro, Archer (Josh Brolin) representa o desespero de um pai que procura o filho por conta própria e tenta entender o que realmente aconteceu.

Sua investigação acaba se tornando o carro-chefe da trama, já que Cregger o coloca como o responsável por desvendar um quebra-cabeça mais complexo do que imaginamos.

Assim como em “Noites Brutais”, como o próprio título já sugere, o terror e o gore estão fortemente presentes aqui. Algumas sequências chegam a causar bastante desconforto no público, seja pela escatologia ou pelo excesso de sangue.

Além disso, há espaço para alguns scary-jumps, muitos deles surgindo de forma inesperada, sem estarem “previstos” na cena. Em contrapartida, Cregger ainda apresenta uma divertida homenagem ao gênero sátira, ao inserir um arco extremamente engraçado dentro da narrativa.

“A Hora do Mal” termina como mais uma instigante crônica de horror, que mescla diferentes estilos e consolida Zach Cregger como um potencial grande nome do gênero.



A última modificação foi feita em:janeiro 4th, 2026 as 12:41


Engenheiro de Computação, Jornalista, Cineasta e Critico de Cinema, resolveu compartilhar seu conhecimento sobre cinema com todos aqueles que apreciam essa sétima arte.


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