Crítica | Amores à Parte - Engenharia do Cinema

publicado em:27/08/25 5:46 PM por: Gabriel Fernandes Amazon PrimeCríticasFilmesTexto

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Nos últimos anos, fazer uma comédia romântica para os cinemas se tornou um grande desafio para a indústria, uma vez que o gênero tem sofrido com o politicamente correto e com títulos que vão direto para o streaming.

“Amores à Parte” poderia ter sua estreia nas telonas brasileiras suspensa, se não fosse o envolvimento de Dakota Johnson (ainda em cartaz com “Amores Materialistas”) e Adria Arjona (da série Star Wars, Andor, e possivelmente a nova Mulher Maravilha da DC) como protagonistas.

Após presenciarem um acidente brutal durante uma viagem, Ashley (Adria) revela ao marido, Carey (Kyle Marvin), que o traiu e quer o divórcio. Ao fugir correndo do local, ele vai para a casa do seu melhor amigo, Paul (Michael Angelo Covino), e de Julie (Dakota). Em uma conversa informal, descobre que o casal vive um relacionamento aberto e, ao ter um breve caso com Julie, Carey passa a reavaliar sua vida.

Escrito pelos próprios Marvin e Covino (que também assina a direção), o filme opta pelos estereótipos das comédias europeias ao explorar um humor pastelão em situações inusitadas.

A começar pela sequência em que Carey afirma a Paul que transou com Julie, a dupla logo inicia uma extensa luta pela casa, enquanto a direção aposta apenas nos sons e no foco total do conflito entre ambos. O humor está na situação dos personagens, sem apelar para músicas que “aliviam” o clima para o público.

Em outro ponto, vemos Paul e Ashley começando a viver um relacionamento aberto, e a própria direção utiliza um plano-sequência para estabelecer o quão maluca e, ao mesmo tempo, vazia ficou a rotina do então casal. É o dinamismo entre essas cenas que faz elas funcionarem também no aspecto técnico.

Tudo isso realmente funciona não apenas pela excelente química entre os quatro atores, mas também pela naturalidade entre eles. Seja no entrosamento entre Dakota e Marvin, ou entre este e Adria (que está tão à vontade quanto em “Assassino por Acaso”).

Já Covino funciona como o verdadeiro equilíbrio entre eles, ainda que seu personagem não tenha um único momento de destaque solo na trama, por mais que, em certo ponto, a premissa se torne previsível.

Mesmo que o público consiga prever os próximos passos do enredo, a experiência não se estraga, uma vez que o próprio enredo consegue prender a curiosidade por conta do assunto ter sido retratado de forma plausível.

Mesmo que o pano de fundo seja o relacionamento aberto, Marvin e Covino optam por não cair em uma pornochanchada barata. Apesar de algumas cenas de nudez frontal, nada aqui descamba para sexo explícito ou diálogos pesados.

A graça e a reflexão estão nos diálogos dos quatro protagonistas, e não apenas em suas ações físicas. Por exemplo, a personalidade de Carey é sutilmente sarcástica diante da situação bizarra vivida por Ashley, em dado momento da trama, remetendo ao estilo de humor exercido por Woody Allen.

“Amores à Parte” é mais uma divertida comédia romântica que, mesmo abordando um tema tabu, sabe como retratá-lo.



A última modificação foi feita em:janeiro 4th, 2026 as 12:41


Engenheiro de Computação, Jornalista, Cineasta e Critico de Cinema, resolveu compartilhar seu conhecimento sobre cinema com todos aqueles que apreciam essa sétima arte.


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