Crítica | Hamnet: A Vida Antes de Hamlet - Engenharia do Cinema

publicado em:18/01/26 9:48 AM por: Gabriel Fernandes CríticasNos CinemasTexto

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Pelo menos uma vez na vida você já se deparou com a frase “Ser ou não ser, eis a questão”, proferida pelo personagem Hamlet na peça de William Shakespeare. Só que, mesmo considerada uma das peças mais famosas da história, sua verdadeira inspiração não é tão popular quanto muitos pensam. É neste contexto que “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” se desenvolve.

Inspirado na obra de Maggie O’Farrell, que também adaptou o roteiro com a diretora Chloé Zhao (“Nomadland”), o enredo tem como protagonista Agnes (Jessie Buckley), desde o momento em que conheceu o misterioso amante do teatro Will (Paul Mescal). Com o tempo, o casal acaba tendo três filhos, mas uma tragédia envolvendo um deles afeta tudo.

Assim como em seu trabalho que lhe rendeu o primeiro Oscar, Zhao procura explorar profundamente a questão da ambientação e o foco da protagonista diante das belezas naturais em um primeiro momento. Por intermédio da fotografia de Lukasz Zal (“Zona de Interesse”), Agnes é enaltecida aos poucos na narrativa.

Não hesito em dizer que Jessie não apenas segura 95% do filme, inclusive recordando o trabalho de Fernanda Torres em “Ainda Estou Aqui”, como a própria premissa funciona muito por conta de sua atuação, que provavelmente a levará ao Oscar de melhor atriz. Transitando facilmente da timidez ao amor e da tristeza ao medo, seus olhares e feições são verídicos por boa parte do tempo.

Mesmo que o nome de William Shakespeare sempre traga uma presença ao ambiente, Zhao faz questão de deixar claro que esta é uma história sobre Agnes e seu filho Hamnet (Jacobi Jupe, também em excelente atuação).

Um exemplo disso é que o nome do famoso dramaturgo só é citado por inteiro perto do último ato, quando “Hamlet” está prestes a ser encenado pela primeira vez; caso contrário, isso quebraria por completo o peso dramático que estava sendo desenvolvido. Afinal, naquela época, Shakespeare ainda não tinha lançado a peça “Hamlet” e ainda era desconhecido.

Neste cenário, Mescal não acaba sendo um mero coadjuvante, mas funciona como a cereja no bolo de todos os fatos, visto que sentimos sempre sua presença e seu carinho por Agnes.

“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” é mais uma produção que consegue transpor emoção com naturalidade e, mesmo tratando-se de uma obra concebida com o propósito de ganhar prêmios, obteve pleno sucesso nisso.



Engenheiro de Computação, Jornalista, Cineasta e Critico de Cinema, resolveu compartilhar seu conhecimento sobre cinema com todos aqueles que apreciam essa sétima arte.


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