Crítica | Extermínio: O Templo dos Ossos - Engenharia do Cinema

Após a Sony adquirir os direitos da franquia “Extermínio”, o estúdio não apenas deu sinal verde para o terceiro longa, como também para o quarto. Com o propósito de reduzir os custos, ambos foram gravados ao mesmo tempo, com Danny Boyle dirigindo “Extermínio: A Evolução” e Nia DaCosta comandando “Extermínio: O Templo dos Ossos”.
Só que, diferentemente do capítulo antecessor, que procurou situar como o mundo está no apocalipse zumbi, este já parte para uma vertente diferente, uma vez que o roteiro de Alex Garland explana que os seres humanos conseguem ser tão maléficos quanto as criaturas que foram transformadas.
A história começa no ponto onde o terceiro parou, com Spike (Alfie Williams) se juntando ao violento grupo de fanáticos religiosos liderados por Sir Jimmy Crystal (Jack O’Connell). Ao mesmo tempo, acompanhamos o Dr. Kelson (Ralph Fiennes) aplicando novos estudos medicinais com um dos mais poderosos zumbis Alpha (Chi Lewis-Parry).
Diferente de Boyle, DaCosta opta por abrir a produção com uma tensa sequência de violência envolvendo um ritual para “autorizar” a entrada de Spike no grupo de Jimmy. Com uma câmera agitada mostrando todos os detalhes, ao mesmo tempo que há uma grande violência gráfica, temos uma noção breve do que vamos ver do seu trabalho.
Alguns minutos depois, ela repete o teor de violência em torno da execução do grupo; onde os atos chegam a ser tão chocantes que é impossível não se revirar na cadeira. Entretanto, é perceptível que o estúdio barrou um pouco desse conteúdo, pois nem uma censura de 18 anos seria necessária para “controlar” o incômodo.
Como cereja nesse bolo, temos mais uma brilhante atuação de O’Connell, que já havia interpretado com maestria um papel semelhante em “Pecadores”. Seus olhares e trejeitos remetem a um verdadeiro psicopata, e sua presença chega a ser tão ameaçadora quanto a dos próprios zumbis.
Em contraponto, vemos um pouco mais sobre a personalidade do Dr. Kelson e como ele, aos poucos, está se tornando um personagem tão importante quanto Jim (Cillian Murphy), embora suas interações com o Alpha, carinhosamente apelidado de Sansão, funcionem como uma espécie de alívio cômico.
“Extermínio: O Templo dos Ossos” termina como uma grata surpresa, visto que a própria Sony não fez um grande marketing em torno do longa, o que é uma pena.