Crítica | O Primata - Engenharia do Cinema

Lançado em diversos festivais de cinema no segundo semestre de 2025, “O Primata” conseguiu não apenas chamar a atenção do público e da crítica por conta de ser um terror trash bem conduzido, mas por estabelecer uma narrativa que se assemelha ao que funcionava nos slashers dos anos 1980.
Sob a direção e roteiro (junto de Ernest Riera) de Johannes Roberts (“Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City”), a história tem como base um animal que assassina diversas pessoas de forma brutal. Só que diferente de Michael Myers e Leatherface, há um motivo em específico, que é pouco explorado pelo cinema: uma doença chamada raiva.
A história gira em torno de Lucy (Johnny Sequoyah) que retorna da faculdade com alguns amigos para passar as férias em sua casa da família no Havaí, junto de seu pai (Troy Kotsur), irmã e o chimpanzé de estimação Ben.
Entretanto, Ben acaba se mostrando portador do vírus da raiva, o que fará todos lutarem pela sobrevivência no único lugar onde ele tem medo: a piscina da casa.
Roberts sabe que neste tipo de narrativa é necessário ter dois pontos de partida: ter mortes brutais e não se estender muito no tempo de duração, que aqui é de 89 minutos.
Embora a cena de abertura apresente um ataque brutal de Ben, que já define o teor dos próximos minutos, durante o primeiro ato, ele opta pelo clichê ao apresentar os personagens, que são adolescentes comuns e no fogo da idade.
Aos poucos, ele passa a inserir Ben como uma presença amigável ao redor deles. Só que, quando ele se mostra um animal brutal e violento, a narrativa passa por outra camada. Que é colocá-lo como uma presença assustadora e disposto a atacar qualquer coisa com vida em seu caminho.
São nessas passagens que Roberts opta por fugir da zona de conforto do gênero, pois além de se estender além das possibilidades que poderiam ser feitas na piscina, ele explora outros ambientes ao redor da casa.
Sempre carregados com uma violência extrema, e que chegam a chocar os mais sensíveis em alguns pontos. Só que não chegam a ser no mesmo ponto que os filmes da franquia “Terrifier”.
Além da participação do vencedor do Oscar Troy Kotsur (“No Ritmo do Coração”), o fato de ele ser surdo acrescenta à narrativa uma breve comunicação por Libras por parte do elenco.
“O Primata” termina como um slasher interessante e tenso, abrindo caminho para uma possível nova franquia de terror.