Crítica | A Noiva! - Engenharia do Cinema

Em meio ao sucesso recente de “Frankenstein”, de Guillermo del Toro, a Warner Bros. teve a “brilhante” ideia de lançar nas telonas uma produção do mesmo universo, mas com um estilo bastante diferente. Sob a direção e roteiro de Maggie Gyllenhaal (“A Filha Perdida”), parece que ela não quis entregar apenas uma história de amor entre dois monstros, mas sim um retrato feminista e ativista naquele cenário.
Entretanto, ela se esquece de que, para isso ser retratado de uma forma que funcione, deve-se primeiro atentar não apenas ao contexto da época, mas também garantir que o público estabeleça uma conexão com os personagens — algo que não acontece aqui.
A história se passa em uma Nova York dos anos 1930, com Frankenstein (Christian Bale) vivendo uma vida triste e solitária, até que ele resolve procurar o Dr. Euphronius (Annette Bening) para que crie uma companheira para ele. É quando eles resgatam o corpo da misteriosa Ida (Jessie Buckley) e a transformam na Noiva de Frankenstein.
Gyllenhaal perceptivelmente queria usufruir da imagem da Noiva para não apenas criar a sua versão da Arlequina, mas para que ela se tornasse um ícone feminista e revolucionário, dentro de uma história que não faz sentido em boa parte dela. Porém, quando ela está na companhia de seu cônjuge, a narrativa se transforma em um “Bonnie e Clyde”.
Embora algumas passagens ocorram dentro da mente da protagonista, a narrativa em si não consegue apresentar nenhum personagem devidamente. Logo, não conseguimos nos interessar por nenhum deles e interpretamos as passagens do casal central como meras alegorias descartáveis.
Se, por um lado, Bale está no “automático” ao viver Frankenstein, Buckley parece acreditar que estava interpretando uma prima distante da Arlequina ao exagerar nos gritos, berros e personalidade; ou seja, não havia uma direção original para a personagem.
Isso quando ela não possui “interrupções mentais” nas quais discute com a própria Mary Shelley (também vivida por Buckley), para representar que a protagonista foi inteiramente inspirada nos anseios da escritora.
Intercalando com eles, ainda somos apresentados a um detetive (Peter Sarsgaard) e sua assistente (Penélope Cruz), cujo desandar da trama acaba se contradizendo durante boa parte e chega a ser engraçada a decisão do roteiro em torno da evolução “natural” da segunda.
“A Noiva!” termina como um misto de bomba traumática e uma mancha na filmografia de Bale e de Buckley — que deve ganhar seu Oscar na noite de 15 de março.