Lançado no Festival de Toronto de 2024, “Segredo Obscuro” tem uma premissa bem semelhante ao bem-sucedido “A Substância”, lançado quatro meses antes em Cannes. Em ambos, temos uma protagonista da área do entretenimento que se vê obrigada a se submeter a um procedimento estético que acaba gerando consequências sérias.
Só que, enquanto a obra de Coralie Fargeat não tinha vergonha de impactar o público e deixar o teor trash se elevar ao extremo, Max Minghella entrega uma produção mais tímida nesse quesito. Ao mesmo tempo, ele não sente vergonha em abraçar o estilo e homenagear clássicos como “A Mosca”.
Por conta do sucesso do longa estrelado por Demi Moore, a obra de Minghella ficou mais de um ano guardada para ser lançada e “não surfar” na onda do título vencedor do Oscar. Claramente uma decisão inusitada, visto que ambos os projetos foram idealizados praticamente ao mesmo tempo.
A história começa com a atriz Samantha Lake (Elisabeth Moss) percebendo que sua carreira pode não decolar como ela imagina. Ao tomar ciência de um tratamento estético que usa genes de lagostas, liderado pela poderosa empresária Zoe Shannon (Kate Hudson), ela resolve fazer o procedimento. Só que, obviamente, em seu ápice, ele começa a gerar efeitos colaterais.
Embora seja inevitável lembrar de “A Substância” durante boa parte da produção, o desenrolar do roteiro proposto por Jack Stanley foca exatamente no lado trash. A começar pela sequência de abertura, na qual vemos uma mulher cortando violentamente estranhas feridas em seu corpo, antes do corte para a rotina de Samantha.
Assim como em muitas produções do gênero, o ideal é não levar essa história a sério, visto que tanto Moss quanto Hudson estão bastante canastronas e sabem que essa era a proposta do filme. Um exemplo é a cena na qual a primeira é intimada pela segunda a se aproveitar de um consolo, após ser pega no flagra de forma totalmente aleatória em um momento íntimo.
No decorrer da história, ao contrário da narrativa de Coralie Fargeat, não existem referências e críticas ácidas à indústria da beleza, nem mesmo ao quão o ramo do entretenimento valoriza mais a estética do que o talento.
Por aqui, temos Samantha fugindo de um capanga que se parece com o Alex Wesker de “Resident Evil” e interagindo com dois policiais bananas que estão na história por estar, ao mesmo tempo em que começa a tentar entender o que está causando seus efeitos colaterais.
Isso sem mencionar a trilha sonora de Eldad Guetta, que parece ter sido usada em um filme do Leandro Hassum, visto que as melodias se assemelham mais às comédias dele do que a um suspense com toques de horror.
“Segredo Obscuro” termina como um irmão mais pobre de “A Substância”, mas que também não se envergonha em ser trash.
