Após a Marvel enfrentar percalços com produções de qualidade duvidosa na maioria das fases 4 e 5, o estúdio passou por uma nova revitalização sobre o que realmente deveria entregar aos fãs. No meio deste caos, “Deadpool & Wolverine” fez exatamente isso em 2024 e arrecadou US$ 1,338 bilhão mundialmente.
“Homem-Aranha: Um Novo Dia” repetiu essa mesma fórmula e não apenas entregou o que o público queria ver no personagem, mas também uma versão totalmente diferente da vista na primeira trilogia dele na Marvel. Além de trocar o diretor Jon Watts por Destin Daniel Cretton (“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”), a história passou a focar na vida simples de Peter Parker e na sua luta contra o crime nas ruas de Nova York.
Após o mundo se esquecer de quem é Peter Parker/Homem-Aranha (Tom Holland), ele começa um novo capítulo em sua vida. Enquanto continua combatendo o crime nas ruas de Nova York, Peter tenta ao mesmo tempo reconquistar sua ex-namorada MJ (Zendaya) e seu melhor amigo Ned (Jacob Batalon). Porém, quando uma ameaça começa a desencadear uma série de conflitos, ele se vê preso em um complexo cenário.
O roteiro de Chris McKenna e Erik Sommers, que também escreveram a trilogia original, consegue estabelecer o seguinte princípio: existem diversos personagens para serem trabalhados e nenhum deles pode ser simplesmente inserido de forma gratuita.
Logo, vemos Frank Castle/Justiceiro (Jon Bernthal) se transformar em uma espécie de parceiro de Peter, em um arco bem satírico e beirando o pastelão em alguns momentos; Bruce Banner (Mark Ruffalo) atuar como uma arma em seus projetos; a personagem de Sadie Sink (em uma análise sem spoilers) surgir como uma ameaça onipresente apresentada aos poucos; e o Hulk funcionar como peça-chave em uma excelente sequência de ação que envolve todos esses nomes.
Além disso, a própria narrativa remete não apenas à história das HQs, mas aos dois jogos recentes de PlayStation. A direção e o roteiro constroem uma trama que coloca o Homem-Aranha realizando uma série de missões rápidas por Nova York, enquanto esbarra com figuras e vilões que ainda não tinham sido explorados nos cinemas.
Cretton sabe que existe uma série de possibilidades a serem executadas diante destes personagens e situações. Por isso, ele explora não apenas o que o recurso 3D pode proporcionar ao espectador, mas principalmente a profundidade e a interação dos objetos voando em direção à plateia.
Porém, ao partir para as cenas dramáticas há um forte contraste em alguns momentos. Se por um lado Tom Holland consegue carregar muito bem os dramas de Peter, seus momentos com Zendaya ainda costumam ser bem estranhos, por conta da falta de expressão da atriz.
Isso fica mais perceptível quando ele divide a cena com Sadie Sink, cujo arco até lembra um pouco a própria série “Stranger Things”. Com traumas do passado e carregando uma atmosfera misteriosa em 70% do filme, pode-se dizer que foi uma baita antagonista para o Homem-Aranha.
“Homem-Aranha: Um Novo Dia” entrega exatamente o que o espectador esperava de um filme do herói há anos e mostra que a Marvel está disposta a atender às expectativas dos fãs.
Observação: Há uma cena pós-créditos que pode abrir uma série de discussões sobre o futuro do personagem.
