Exibido durante a disputada sessão da meia-noite no Festival de Cinema de Sundance de 2026, “Insaciável” chegou a gerar uma determinada polêmica, pois um espectador chegou a passar mal e desmaiar por conta do terror gráfico apresentado pela cineasta Natalie Erika James.
Nitidamente pegando carona em “A Substância”, o longa não conta com nomes famosos como Demi Moore e Margaret Qualley estampando o elenco principal ou coadjuvante. Sendo assim, a diretora usufrui de diversos efeitos práticos para causar desconforto com os alimentos e comportamentos esdrúxulos da protagonista para alcançar o corpo perfeito.
A história gira em torno da universitária Hana (Midori Francis, de “Grey’s Anatomy”), que tenta controlar seu vício e compulsão por alimentos que não fazem bem, ao mesmo tempo que sonha em ter o corpo perfeito. Ao reencontrar uma antiga amiga da escola, ela percebe que existe um tratamento misterioso que a faz emagrecer rapidamente. No entanto, ao perceber a origem dele, decide fazer o mesmo por conta própria. Só que logo isso acaba gerando sérias consequências.
Natalie deixa claro que seu propósito é causar desconforto logo na sequência inicial, onde acompanhamos um enquadramento na boca de Hana enquanto ela come uma rosquinha. No entanto, ela é vista de uma forma nojenta e que causa aflição no público. Logo, vemos que ela está em uma aula de necropsia, e constantemente acompanhamos a personagem e seus colegas lidando com o corpo humano de forma nua e crua.
Como sua cobaia era uma mulher obesa, nitidamente com uma série de problemas de saúde, a nojeira em muitos destes momentos acaba sendo constante. A começar porque também são feitos constantes enquadramentos nos cortes e órgãos que são manuseados pelos personagens, principalmente os mais afetados. Nitidamente, os mais sensíveis não vão conseguir chegar até o desfecho.
No entanto, o roteiro parece ter uma ausência de conectividade com o público, pois em momento algum conseguimos criar uma familiaridade com Hana. Mesmo que a personagem tenha sua vida pessoal apresentada de forma plausível, principalmente seus conflitos com seu pai (cujo arco parece ter sido tirado do longa “A Baleia”), a narrativa não engrena.
Com relação aos sustos que são apresentados, Natalie usa e abusa da presença constante do cadáver da mulher obesa que ela e seus colegas fazem autópsia durante as aulas. Mesmo que ela venda a presença do corpo como algo assustador, a execução apresentada é datada; o cenário chega a soar sem vida e com pouca importância para grande parte do público.
Já quanto às críticas sobre a auto aceitação diante do cenário que a proposta procura exercer, elas funcionam durante a primeira metade, pois, em boa parte da trama, o filme procura mais chocar o espectador do que fazê-lo refletir.
“Insaciável” é mais um filho de “A Substância” que fica apenas na promessa de ser impactante, mas termina em uma tentativa com pouca vida e em uma abordagem fajuta de reflexão.
