‘Da Magia à Sedução 2’ apanha para achar o próprio feitiço

Embora “Da Magia à Sedução” não tenha feito muito sucesso quando foi lançado em 1998, pois fez menos de US$ 100 milhões e custando cerca de US$ 75 milhões para a Warner Bros, ele foi se tornando popular conforme os anos se passaram. 

Desde então, uma continuação estava sendo cogitada pelo estúdio e até mesmo uma série chegou a ser pensada com a chegada do HBO Max. Até que a própria Nicole Kidman revelou em 2024 que estava conversando com Sandra Bullock, que havia anunciado sua aposentadoria dos cinemas em 2022, sobre realizar uma continuação. 

Anunciado no começo de 2025, “Da Magia à Sedução: O Feitiço do Amor” não apenas trouxe a dupla do original, mas também as veteranas Diane West (Jet) e Stockard Channing (Franny), com as únicas exceções sendo Alexandra Artrip e Evan Rachel Wood (que não escondeu sua decepção de não ter sido chamada), que foram substituídas por Joey King e Maisie Williams.

Baseado no livro de Alice Hoffman, “O Livro da Magia”, a história se passa alguns anos depois do original e acompanhamos com Sally (Bullock) e Gillian (Kidman) vivendo suas vidas tranquilas, mesmo ainda sofrendo com a maldição onde qualquer pessoa por quem elas se apaixonam morre de forma repentina. 

No entanto, quando o namorado de Kyle (King), Gideon (Xolo Maridueña), sofre um grave acidente, ela descobre sobre a maldição familiar e resolve viajar para tentar reverter isso. Então Sally e Gillian resolvem ir atrás dela para tentar impedir que algo pior aconteça.

O roteiro de Akiva Goldsman, Georgia Pritchett e Kelly Marcel parece não apenas querer agradar os fãs do original, como também explorar o máximo de assuntos e situações durante as duas horas de duração do filme. Por isso, nitidamente em nenhum momento a narrativa decide o que quer ser.

Em uma hora é um filme de fantasia, no outro um romance, até mesmo um road movie a trama tenta ser. Isso porquê ainda não citei os personagens, que parecem ter sido meramente colocados de forma genérica ao extremo. A começar que a interação entre Sally e Gillian, apesar de ambas as atrizes estarem boas e terem química, é nítido que Bullock não queria fazer este filme, ao contrário de Kidman.

Entrando em um cenário comparativo, “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda!” usa do mesmo escopo para brincar com situações do primeiro para mesclar a nostalgia e captar a atenção do público. Aqui, a diretora Susanne Bier, amiga pessoal de Kidman e Bullock e que já fez vários filmes e séries com elas como “The Undoing” e “Bird Box”, tenta fazer isso em torno das personagem de Jet no primeiro ato. 

Só que isso sequer é explorado durante a história, sendo lembrado apenas no último ato, o que faz o espectador literalmente se esquecer disso. Além disso, outros personagens como o misterioso Ian (Lee Pace), Antonia (Maisie Williams) e o próprio vilão do filme, são inseridos de forma tão porca, que parece que não houve uma preocupação em fazer uma conexão entre eles e a história. 

Em tempos onde o público é mais exigente ao que vai conferir nos cinemas, “Da Magia à Sedução: O Feitiço do Amor” é um exemplo de que não adianta apostar em uma marca, se ela não tiver um produto de qualidade.