“Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz?” acerta no tom e homenageia um dos maiores ícones do rock nacional

Na onda de diversas cinebiografias de músicos brasileiros e estrangeiros, era questão de tempo até que o cinema levasse para as telonas a história de Chorão (1970–2013). Líder da banda Charlie Brown Jr., ele não apenas levou o nome de Santos para diversos pontos do país, mas também popularizou o skate com suas letras e atitudes diante da modalidade.

Inspirado no livro escrito por sua viúva, Graziela Gonçalves, “Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz?” foca a relação do casal. Entre desafios e superações, o público acompanha as intensas transformações que a dupla enfrentou ao longo dos anos.

No início da carreira, ele trabalhava como corretor de imóveis contra a sua vontade, enquanto buscava alcançar os seus objetivos profissionais. Após encontros indiretos, os dois se apaixonaram e engataram um relacionamento marcado por forte cumplicidade.

Interpretados por José Loreto e Nanda Marques, a dupla demonstra intensa preparação para encenar os personagens. Os atores entregam atuações naturais e conquistam o público facilmente, embora o desfecho da história seja conhecido por todos.

O filme acerta nos trejeitos de Loreto, que remetem ao próprio Chorão na juventude, entre os anos 1990 e 2000. Além disso, a maquiagem e os enquadramentos dos diretores Felipe Novaes e Hugo Prata criam a sensação de que o intérprete realmente se parece com o cantor. Vale lembrar que a dupla já havia dirigido o documentário “Chorão: Marginal Alado” em 2019, ao lado do produtor Fabio Zavala.

Novaes, Prata e o roteirista Duda de Almeida entenderam a impossibilidade de retratar a vida inteira do músico em um único longa-metragem, pois essa abordagem exigiria uma série com várias temporadas. Por isso, os cineastas deixaram de lado passagens como a criação da banda, as brigas com outros músicos, sua arena de skate e o amor de Chorão pelo Santos Futebol Clube. O foco permanece exclusivamente em Chorão e Grazon.

Como solução para realizar os saltos temporais, a equipe inseriu as próprias canções do Charlie Brown Jr. como fios condutores dos momentos felizes e trágicos da trama. Essa escolha justifica-se perfeitamente dentro da proposta narrativa do projeto.

Na reconstituição cenográfica, o público identifica facilmente pontos marcantes de Santos, São Vicente e Cubatão. Afinal, grande parte da vida de Chorão aconteceu nas ruas da Baixada Santista.

“Se Não Eu, Quem Vai Fazer Você Feliz?” funciona como uma respeitosa homenagem ao legado de Chorão e reafirma sua importância como um dos maiores ícones do rock brasileiro.