Crítica | Na Zona Cinzenta

publicado em:24/05/26 12:52 PM por: Gabriel Fernandes CríticasNos CinemasTexto

O cineasta Guy Ritchie entrou em sua zona de conforto há uns anos, e isso ficou comprovado em trabalhos recentes como “Infiltrado” e “Operação Fortuna”. Não que ambos sejam ruins, muito pelo contrário, pois eles entretém, mas não existe nenhum cenário memorável como a cena de luta em “Sherlock Holmes” ou até mesmo apresentar a rotina dos gangsters ingleses de forma humana.

“Na Zona Cinzenta” se encaixa exatamente neste primeiro tópico, pois além de optar ir por um cinema mais pipocão e entreter o público com as presenças de Henry Cavill, Jake Gyllenhaal e Eiza González. Mais uma vez interpretando o homem durão, o galã esperto e a mulher experiente.

A história gira em torno da misteriosa advogada Rachel (Eiza González), que contrata os especialistas em missões de resgate, Sid (Cavill) e Bronco (Gyllenhaal) para a seguinte tarefa: encontrar uma rota de fuga para conseguir milhões em dinheiro roubado. Só que, à medida que o plano vai ganhando forma, as coisas ficam mais complicadas.

Logo em seus primeiros segundos Rachel se apresenta como uma espécie de “advogada faz tudo”, em paralelo com ela se abaixando de balas que estouraram os vidros do seu carro. Mero engano se estávamos pensando que seria mais uma ação genérica, pois Ritchie quer que o espectador primeiro entre no plano da protagonista e raciocine com os personagens onde eles querem chegar.

Optando pelo famoso “filme da paciência”, é necessário se atentar a todos os mínimos detalhes, já que o cineasta não vai perder tempo para explicar os arcos para quem estava no celular ou namorando, ao invés de estar ligado na história.

Por volta de 30 minutos, Rachel parece uma metralhadora de palavras, junto de Sid e Bronco, que passam e repassam os planos constantemente, para que ele não possa dar errado. Só que, o espectador que for se aventurar a ver este filme por conta do pôster que mostra uma explosão, já adianto: ela é o que menos acontece.

Ritchie ainda encontra brechas para inserir o humor de forma homeopática na trama. De fato, a comédia ganha força quando Rachel mostra o sucesso de suas estratégias, pois ela demonstra capacidade para estar sempre um passo à frente dos antagonistas.

Nesse sentido, o destaque fica para os diálogos com a executiva Bobby, vivida por Rosamund Pike (“Garota Exemplar”). A personagem acredita ter poder em suas decisões. Contudo, ela teme profundamente que o telefone vermelho toque a qualquer momento.

Assim como nos dois filmes mencionados no começo do texto e estrelados por Jason Statham, em momento algum é nítido que o trio central vai tirar uma atuação digna de Oscar ou memorável. 

Sendo assim, “Na Zona Cinzenta” é um típico entretenimento que conseguir ter a atenção do público no streaming e nada mais além.



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Engenheiro de Computação, Jornalista, Cineasta e Critico de Cinema, resolveu compartilhar seu conhecimento sobre cinema com todos aqueles que apreciam essa sétima arte.


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