Crítica | O Jogo do Predador
A presença de Charlize Theron em produções de ação costuma ser um selo de qualidade e diversão garantida. Entretanto, quando o nome da atriz surge associado ao “Tudum” da Netflix, o público frequentemente teme uma nova decepção. Felizmente, “O Jogo do Predador” supera as expectativas, mostrando-se superior às duas partes de “The Old Guard” ao entregar um entretenimento equilibrado.
A trama acompanha Sasha (Charlize Theron), uma mulher que enfrenta o luto e a culpa após perder o marido (Eric Bana) em um trágico acidente de escalada. Algum tempo depois, durante uma trilha solitária, ela encontra o misterioso Ben (Taron Egerton). Aos poucos, o personagem revela sua face predatória, iniciando um tenso jogo de gato e rato em meio à natureza.
O roteiro de Jeremy Robbins, conhecido pela franquia “Uma Noite de Crime”, opta por um caminho seguro e familiar. Nesse sentido, a narrativa estabelece Sasha inicialmente como uma aventureira apaixonada, embora sua personalidade mude drasticamente após a viuvez.
Anteriormente destemida, a protagonista agora demonstra fragilidade e falta de confiança, transformando o spray de pimenta em seu principal aliado. Por outro lado, o grande ponto de virada da história surge com a personalidade generosa de Ben, que mascara suas reais intenções em um primeiro momento.
Para garantir o realismo das cenas, a atriz sul-africana treinou diretamente com a alpinista profissional Beth Rodden, famosa por escalar a difícil rachadura Meltdown em Yosemite. Graças a isso, Theron realizou diversas sequências de escalada sem o auxílio de dublês.
Além disso, o diretor Baltasar Kormákur utilizou adereços personalizados em estilo de exoesqueleto para auxiliar os movimentos dos profissionais em alta altitude. Já no prólogo, gravado em geleiras islandesas remotas, a produção empregou equipamentos especializados para operar câmeras em condições abaixo de zero.
Assim como em “Evereste” (2015), Kormákur conduz os espectadores por uma jornada de tensão crescente. Dessa maneira, ele transforma a relação dos protagonistas em uma verdadeira queda livre ao colocar Sasha em um cenário de fuga desesperada. Embora o CGI de algumas sequências pareça amador, o carisma de Theron e Egerton sustenta o interesse do público.
Enquanto Charlize reafirma sua competência em cenas de ação, Egerton surpreende ao compor um antagonista cujas motivações permanecem ocultas inicialmente. Portanto, mesmo que a trama beba da fonte de clássicos como “Risco Total”, “O Jogo do Predador” cumpre o objetivo de divertir sem compromisso após um dia de trabalho.