Kane Parsons ganhou fama mundial após lançar o misterioso curta “Backrooms” em janeiro de 2022. O vídeo exibia apenas corredores vazios e uma atmosfera enigmática. A produção adotou o estilo found footage, técnica de gravação perdida popularizada por “A Bruxa de Blair”. O curta iniciou uma série de vídeos de sucesso e já soma mais de 78 milhões de visualizações.
Ao notar o potencial do projeto, a produtora A24 contratou o próprio Parsons para escrever e dirigir a adaptação cinematográfica. O longa traz Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve no elenco principal. A história expande o universo da internet e faz o público refletir sobre realidades paralelas.
O enredo se passa no início dos anos 1990. A trama acompanha Clark (Ejiofor), um homem recém-divorciado que administra uma loja de móveis à beira da falência. Um dia, ele descobre um portal misterioso no sótão do comércio. O local esconde corredores amarelos infinitos que desafiam as leis da física.
Clark passa a investigar o ambiente diariamente. Em paralelo, o filme apresenta a psicóloga Mary (Reinsve). Enquanto enfrenta fantasmas do próprio passado, ela questiona a sanidade do protagonista e a veracidade das descobertas dele.
Parsons abre o longa com referências diretas ao curta original. A estratégia estabelece uma conexão imediata com o público leigo e define o tom da narrativa. O diretor utiliza enquadramentos centrais constantes para sufocar os personagens na tela.
O cineasta intercala o suspense tradicional com cenas em primeira pessoa no estilo found footage. A sensação de claustrofobia e os sustos aumentam em momentos-chave da investigação. Em um deles, Clark envia dois funcionários jovens para explorar uma passagem sombria.
O roteiro evita clichês de sustos fáceis e respeita a inteligência do espectador. A narrativa explora as motivações psicológicas de Clark e Mary para justificar a obsessão pelo portal. Ambos carregam traumas profundos, como o divórcio dele e a relação complexa dela com a mãe doente.
A imersão proposta por Parsons cresce nos últimos 20 minutos de projeção. O filme rejeita respostas prontas e prefere deixar a mensagem aberta para a interpretação do público. Por isso, “Backrooms: Um Não-Lugar” deve dividir opiniões nos cinemas e provocar debates intensos.

