‘Mestres do Universo’ sabe mesclar a nostalgia com o estilo ‘Sessão da Tarde

Mesmo que o longa de “Mestres do Universo” de 1987 não tenha feito o mesmo sucesso da animação, durante muitos anos os estúdios tentaram trazer de volta aos cinemas o universo do personagem He-Man. No meio do caminho, os direitos de adaptação transitam entre a Warner Bros., Columbia Pictures, Netflix e, por último, para a MGM/Amazon, que conseguiu tirar o projeto do papel.

Como muitos fãs na época criticaram a falta de fidelidade na produção estrelada por Dolph Lundgren, por deixar o personagem mais enfrentando problemas do cotidiano do que em Eternia, essa nova versão opta pelo fator nostalgia e na origem do personagem, para que o público seja conquistado com a história envolvendo os personagens de sua terra natal.

A trama acompanha Adam, que é enviado à Terra após Esqueleto (Jared Leto) tomar posse de Eternia junto de sua espada. Só que ele acaba perdendo-a no caminho, o que o faz realizar uma busca por ela durante anos. Ao encontrá-la, ele retorna para casa e descobre que o lugar foi destruído por Esqueleto. Então, ele parte em uma jornada para se vingar e salvar seus pais.

Se no clássico com Lundgren a narrativa perdia muito tempo ao mostrar o herói na Terra, nesta nova versão a introdução de Adam no nosso planeta se resume a um conjunto de esquetes de alívio cômico. Principalmente por realizar uma breve crítica à hipocrisia da Geração Z, por meio das breves cenas da empresa de recursos humanos onde Adam trabalha.

Com o estilo sarcástico e natural de Nicholas Galitzine (do divertido romance com Anne Hathaway, “Uma Ideia de Você”), facilmente o público consegue comprar a narrativa proposta pelo diretor Travis Knight, que é CEO do estúdio de animação Laika (responsável por filmes como “ParaNorman” e “Kubo e as Cordas Mágicas”).

Mesmo que ele consiga estabelecer boas cenas de luta e ação, com destaque para a invasão de Esqueleto e seus capangas em Eternia logo nos primeiros minutos, existe um ponto que poderia ter sido melhor aproveitado: o lançamento em 3D.

A produção não apenas insere diversas sequências de ação que nitidamente teriam uma profundidade maior se houvesse os óculos como companheiros do espectador, como também traz dezenas de momentos onde objetos são atirados na direção da câmera, o que seria melhor aproveitado com o recurso.

Tirando a parte técnica, embora os protagonistas estejam bem em seus papéis, o show de interpretação fica para Jared Leto. Ele está totalmente irreconhecível por conta da maquiagem e do CGI para interpretar o vilão Esqueleto. Além de ser hilário e, ao mesmo tempo, aterrorizante, facilmente conseguimos querer ver mais do personagem. Inclusive, sua sintonia com Alison Brie, intérprete de Maligna, é excelente e remete perfeitamente ao que era visto na animação.

“Mestres do Universo” consegue se mostrar como uma excelente adaptação do personagem, que entretém facilmente por saber trabalhar bem com seu material-base.