O fracasso iminente de Supergirl nas bilheterias parecia quase certo. Além de Kara Zor-El ainda carecer de popularidade nos cinemas, a heroína enfrentaria a concorrência direta de blockbusters como Toy Story 5, Minions & Monstros e Moana, franquias que já ostentam um público cativo.
Segundo longa-metragem do novo universo DC liderado por James Gunn e Peter Safran, a produção traz Milly Alcock no papel principal. O público conheceu a personagem no desfecho de Superman, em uma aparição que já antecipava o tom da abordagem: uma jovem alcoólatra e depressiva.
A trama acompanha Kara Zor-El arrastando os dias por diversos bares, sempre na companhia do cão Krypto. No entanto, a chegada de Ruthye (Eve Ridley) interrompe essa rotina melancólica. A nova aliada busca vingança contra o cruel Krem (Matthias Schoenaerts), que assassinou sua família a sangue-frio. Quando o vilão ressurge e fere gravemente Krypto, Kara inicia uma jornada pelo universo para encontrar a cura de seu melhor amigo.
O roteiro da estreante Ana Nogueira surfa pela conhecida jornada de redenção. A narrativa apresenta uma protagonista ferida por traumas do passado que, no meio do caminho, encontra o pretexto ideal para usar seus poderes e vencer o grande inimigo.
Embora Alcock já tenha provado seu talento na série A Casa do Dragão, onde viveu a jovem Rhaenyra Targaryen, o material em si não exige uma atuação digna de Oscar, tampouco alcança a relevância de Superman.
Mesmo que a trama respeite a presença do Superman — vivido novamente por David Corenswet —, Kara passa boa parte do longa alcoolizada e com medo de “virar a página”. Nesse ínterim, o diretor Craig Gillespie (Cruella) intercala o presente com flashbacks da juventude da personagem.
Nesses momentos, as sequências ambientadas em Krypton inovam ao trazer diálogos totalmente falados em kryptonês, algo inédito nos cinemas. A escolha não apenas confere mais emoção à história, como também estabelece uma forte conexão com o público.
Curiosamente, Gillespie buscou clara inspiração nos trabalhos de Zack Snyder em O Homem de Aço e Rebel Moon para conceber as cenas de ação. A sequência de abertura e a batalha final ilustram bem essa estética, que também remete sutilmente a Mad Max: Estrada da Fúria.
Contudo, como nem tudo são flores, um dos principais problemas de Supergirl reside no vilão. Apesar de promissor, falta a Krem uma motivação sólida que justifique seus atos; ele simplesmente surge na história e assume o papel de mau por pura conveniência do roteiro.
Já o Lobo, interpretado por Jason Momoa, entrega mais do mesmo. A performance do ator se assemelha mais à participação especial de um roqueiro do Kiss do que à introdução de um antagonista com potencial para o futuro da DC.
No fim das contas, Supergirl funciona apenas como um breve divertimento escapista e, aparentemente, acrescenta pouco ou quase nada a este novo universo cinematográfico da DC.
