“O Outro Lado das Redes” chegou aos cinemas na hora certa

Lançado em 2010, em pleno auge do surgimento do Facebook, “A Rede Social” era não apenas um filme sobre o surgimento das redes sociais, mas uma crítica ao próprio Mark Zuckerberg. O título venceu o Oscar de roteiro adaptado e fez um grande sucesso na época.

Porém, com os diversos desdobramentos que aconteceram em torno da plataforma nos últimos anos, principalmente as polêmicas em torno das decisões dos executivos dela, o roteirista Aaron Sorkin viu que era necessário realizar uma continuação.

Embora ninguém do elenco anterior tenha voltado, principalmente Jesse Eisenberg (que não queria mais ser lembrado como Zuckerberg), o foco também mudou. O que antes era um filme voltado para o tribunal e a criação do Facebook, agora virou uma investigação jornalística diante de uma denúncia que abalou as estruturas da plataforma.

A história de “O Outro Lado das Redes” foca na funcionária do Facebook, Frances Haugen (Mikey Madison, vencedora do Oscar de melhor atriz por “Anora”), que resolve contatar o jornalista Jeff Horwitz (Jeremy Allen White), do The Wall Street Journal, para denunciar o que vem acontecendo com os algoritmos do Facebook e como eles manipulam a sociedade.

Sorkin segue uma narrativa não linear ao apresentar a relação entre Frances e Jeff, enquanto as denúncias e investigações foram ganhando novos desdobramentos. Só que, ao contrário de outros filmes recentes escritos por ele como “Steve Jobs” e “Os 7 de Chicago”, ele usufrui de uma linguagem mais simples e menos ácida, ou seja, não é necessário ter uma base ou ter visto o original para entender os desdobramentos aqui.

Mesmo que Mikey (que até pode vir a ser lembrada no Oscar por este papel) e White tenham ótimas atuações, é a primeira que consegue segurar boa parte do filme nas costas. Mesmo que existam algumas frases de efeito em prol do patriarcado vindo dela, isso não prejudica o andar da história.

Já o “novo Mark Zuckerberg” de Jeremy Strong não possui mero destaque e soa apenas como um figurante diante do cenário amplo que vai acontecendo, visto que a história acompanha os anos que antecederam a reportagem e o seu desdobramento, que só ganhou mais força por ter saído alguns meses depois da invasão ao Capitólio.

“O Outro Lado das Redes” funciona como uma pseudo continuação de “A Rede Social”, onde, embora grande parte do público já conheça a história, não tem o mesmo impacto de seu antecessor.