Inspirado em clássicos do terror, “Cara-de-Barro” aposta em escolhas viscerais consegue ser melhor que “Lanternas”

Diante de diversos erros e de quase raros acertos, a DC Studios de James Gunn resolveu realizar para os cinemas um filme sobre “Cara-de-Barro”, um dos vilões do Batman que nunca havia sido levado para as telonas. Embora o presidente da DC tenha sido convencido da ideia de fazer esse projeto por conta da qualidade positiva do roteiro de Mike Flanagan (“A Maldição da Residência Hill”).

Mesmo se tratando de um filme que ninguém pediu e depois do fiasco de “Supergirl”, pode-se dizer que este longa conseguiu se sair bem em vários quesitos por absolutamente seguir uma fórmula já conhecida e não ter medo de tomar algumas decisões. Entre elas, o excesso de violência gráfica e brutal.

O ator Matt Hagen (Tom Rhys Harries) teve a vida que sempre quis e acabou de receber uma indicação ao Oscar. Ao sair para comemorar, sem saber, ele se envolve com a mulher do mafioso Markos Szabo (David Dencik). Então, ele resolve se vingar cortando em grande parte a sua face. Logo, ele passa a procurar por um tratamento e encontra a Dra. Caitlyn Corr (Naomi Ackie), que está em um estudo avançado de regeneração de pele. Ao se tornar uma cobaia dela, o experimento dá certo. Só que, aos poucos, ele começa a encarar as sérias consequências disso.

O roteiro de Flanagan e Hossein Amini sabe que a história gira em torno de um personagem pouco conhecido do universo do Batman, ao contrário do Coringa e da própria Mulher-Gato. Sendo assim, ele faz uma breve introdução sobre quem é Matt Hagen em menos de 10 minutos, antes de pular para o trágico acontecimento com seu rosto.

Perceptivelmente se inspirando em filmes trash como “A Mosca” e “A Substância”, o diretor James Watkins (“Não Fale o Mal”) vai por um caminho oposto dos títulos da DC: o terror gráfico e a violência gráfica para conseguir prender o espectador. Diferente dos outros filmes do estúdio como “Batman” e “Superman”, não há diversas cenas de ação grandiosas, mas sequências de horror que causam grande desconforto. E elas funcionam de acordo com a proposta.

Além disso, o próprio Harries conseguiu casar com o personagem, visto que ele é um antagonista que vai se desconstruindo aos poucos, e entendemos a sua motivação diante de sua jornada de vingança. Embora o vilão não tenha tanto peso, por ser um mafioso não tão ameaçador e que agiu por questões pessoais, a Dra. Caitlyn Corr simplesmente está lá para ser a mera cientista que ajuda o protagonista.

“Cara-de-Barro” termina como uma grata surpresa da DC, depois do gosto amargo que a série “Lanternas” deixou aos fãs do selo que esperavam ver algo de qualidade.