Crítica | O Diabo Veste Prada 2 - Engenharia do Cinema
Lançado em 2006, “O Diabo Veste Prada” consolidou-se como um dos maiores sucessos dos anos 2000. Com um orçamento de US$ 35 milhões, a produção rendeu US$ 326 milhões à 20th Century Fox e alimentou, desde então, rumores sobre uma continuação. Após a compra da Fox pela Disney e a recente busca do estúdio por sucessos comerciais, o projeto finalmente saiu do papel.
O anúncio oficial de “O Diabo Veste Prada 2” posicionou o filme como uma das grandes apostas do estúdio. A Disney reservou para a estreia o primeiro final de semana de maio, data que a Marvel Studios ocupou tradicionalmente nos últimos anos. Felizmente, a produção demonstra respeito ao material original; assim como em “Top Gun: Maverick”, os realizadores evitaram repetir a fórmula antiga, preferindo adaptá-la aos dias atuais.
Nesta sequência, Andy (Anne Hathaway) enfrenta a demissão do veículo onde trabalhou nos últimos anos. O chefão da própria Runway a convida para retornar à revista, que agora sofre com os desafios da evolução tecnológica. Andy aceita o desafio de voltar ao lugar onde viveu traumas sob o comando de Miranda Priestly (Meryl Streep), mas desta vez utiliza sua maturidade para salvar a empresa onde iniciou sua carreira.
A roteirista Aline Brosh McKenna, responsável pelo roteiro original baseado no livro de Lauren Weisberger, explora com precisão a química entre Anne Hathaway, Meryl Streep, Stanley Tucci (Nigel) e Emily Blunt (Emily). A trama, embora simples, foca no desenvolvimento do talento desse elenco estelar.
Sem descaracterizar o passado, a narrativa apresenta uma Miranda Priestly forçada a lidar com a cultura do cancelamento e com a simplicidade do cotidiano. Em cenas hilárias, a editora-chefe precisa desde pendurar o próprio casaco até compartilhar o café com subordinados. A naturalidade de Streep brilha nesses momentos, subvertendo a imagem vilanesca estabelecida pela personagem há duas décadas.
Paralelamente, acompanhamos uma Andy mais madura e confiante, porém operando em um ritmo frenético imposto pelas novas tecnologias. O diretor David Frankel insere sutilmente sequências que atualizam o original, como a nova montagem de abertura.
Emily Blunt assume novamente o papel da ácida Emily. Desta vez, seu arco narrativo entrega um impacto superior ao do primeiro filme, permitindo que a atriz brilhe com luz própria em vez de ficar à sombra do imenso talento de Streep.
Como esperado, o figurino permanece como um dos grandes destaques. Embora algumas peças sejam excêntricas, gerando piadas sutis no próprio roteiro, as roupas seguem bem executadas e menos alegóricas que no passado.
Quanto aos pontos baixos, a trama peca ao inserir um novo namorado para Andy. O personagem de Patrick Brammall parece deslocado e desnecessário para a evolução de Hathaway na história. Em contrapartida, a entrada de Kenneth Branagh como Stuart, marido de Miranda, funciona bem. Sua presença humaniza a editora-chefe e sinaliza sutilmente que ela adotou um estilo de vida mais “leve” fora dos eventos de moda.
“O Diabo Veste Prada 2” entrega uma experiência satisfatória e prova que, quando há respeito à obra original, o sucesso de bilheteria é uma consequência natural.