‘O Mandaloriano e Grogu’ funciona como um episódio de duas horas na tela grande

A terceira temporada de “The Mandalorian” não alcançou o sucesso que o Disney+ esperava no streaming. De fato, a franquia Star Wars enfrentava um desgaste criativo sob a gestão de Kathleen Kennedy na Lucasfilm. Diante disso, Dave Filoni e Jon Favreau arregaçaram as mangas e transformaram a quarta temporada da série em um longa-metragem.

Diferente de produções como “Peaky Blinders” e “Jack Ryan”, cujos filmes saíram direto nas plataformas de streaming, o projeto foi direcionado para as salas de cinema. Nesse sentido, a estratégia arriscada buscava preencher uma lacuna de sete anos da franquia nos cinemas, além de impulsionar a venda de brinquedos. O resultado inicial foi de US$ 165 milhões mundialmente no primeiro final de semana, uma cifra modesta para um custo estimado em US$ 300 milhões.

A história funciona basicamente como se fosse um episódio especial da série de TV. A princípio, o Mandaloriano Din Djarin, vivido por Pedro Pascal, e seu aprendiz Grogu partem em uma nova missão galáctica. A dupla precisa resgatar Rotta, o filho de Jabba, o Hutt, personagem interpretado por Jeremy Allen White. Obviamente, as coisas ficam mais complicadas para os heróis ao longo do caminho.

Além disso, é perceptível que Favreau, Filoni (que assumiu o comando criativo da Lucasfilm) e Noah Kloor entendem profundamente o universo de Star Wars. Só que eles também sabem que muitos espectadores nos cinemas nunca assistiram à série de televisão.

Por isso, os roteiristas optam por explicar apenas o necessário em alguns diálogos rápidos. Contudo, eles evitam se debruçar nos eventos complexos das três temporadas anteriores da produção. A exemplo do que houve em “O Justiceiro: A Última Morte”, não é necessário ter visto nada antes para compreender o especial resumido em 130 minutos.

O longa apresenta cenas de ação bem dirigidas, inclusive com o uso da tecnologia Imax em momentos importantes. Com efeito, a luta entre Djarin e Rotta na arena se destaca por ser muito bem executada tecnicamente. Paira a dúvida se o público poderia ter visto o material direto no Disney+ sem perder a imersão, e a resposta para isso é positiva.

O grande carro-chefe da produção continua sendo a excelente relação entre Djarin e Grogu. Por isso, a boa atuação de Pascal se sobressai, mesmo que em 95% do tempo o ator utilize apenas a sua voz sob a armadura.

Portanto, esse carisma deve garantir o sucesso na venda de bonecos e produtos licenciados da marca. Em paralelo, a relação entre Rotta e seus familiares fica apenas na superficialidade, já que o formato resumido impede um aprofundamento dramático em cena.
Logo, “O Mandaloriano e Grogu” se transforma em uma experiência similar a que “The Chosen” propôs: um episódio do seriado na tela grande.