‘Minions & Monstros’ faz uma bela homenagem à Sétima Arte, mas é apenas isso

A franquia “Meu Malvado Favorito” se destaca facilmente como uma das mais lucrativas de Hollywood, pois seus seis filmes, incluindo os spin-offs da série “Minions”, lucraram cerca de US$ 5,6 bilhões. Tornando-se uma tradição, quase a cada dois anos, desde 2010, o público confere algum filme desse universo nos cinemas.

Em “Minions & Monstros”, há uma interessante homenagem à sétima arte pelo fato de os personagens parar acidentalmente na Hollywood de 1920, uma época em que o cinema mudo estava prestes a mudar para o falado, e a indústria não sabia qual seria a reação do mundo.

Assim como nos antecessores, no prólogo acompanhamos as criaturas tentando encontrar um novo vilão para servir, após matar acidentalmente alguns de seus antigos mestres no caminho. Então, eles cruzam o caminho com o cineasta Max, que os apresenta ao universo cinematográfico e deixa claro que cada um possui um talento nato para as telas.

O roteiro de Brian Lynch e Pierre Coffin, que também assina a direção, dubla as criaturas e foi um dos responsáveis por criar os personagens, sabe que a equipe não pode apenas ficar presa no humor já conhecido, mas precisa apresentar uma história que homenageia o cinema como um todo.

Por isso, é perceptível que durante boa parte da primeira metade existem homenagens a títulos históricos como “Viagem à Lua”, “Tempos Modernos” e “O Homem Mosca”.

A produção insere os próprios Minions participando de todas essas obras, porém o mais divertido acontece quando o roteiro os coloca em uma cena de batalha fictícia. Como a Hollywood do início do século passado não tinha a devida segurança para as gravações, o filme explora o assunto de forma satírica, um recurso que funciona muito bem para o público infantil entender o contexto histórico.

Partindo para o ato em que os personagens encontram problemas para falar diante das câmeras, algo que aconteceu com várias estrelas do cinema mudo, como abordam os filmes “O Artista” e “Babilônia”, o texto mostra com clareza como o mercado passou a desprezar os grandes nomes da noite para o dia.

O alerta começa a piscar quando a história apresenta os monstros, pois parece que existe um filme dentro de outro filme. Ao mesmo tempo, acompanhamos uma trama paralela de um homem-robô que se apaixona por uma militante sufragista. Ambos os arcos contam com o apoio dos Minions, mas tudo soa forçado.

“Minions & Monstros” presta uma bela homenagem à sétima arte, mas acende o sinal de alerta para uma franquia que está esgotando todas as suas possibilidades.