Ao ver o nome do cineasta Will Gluck ligado a alguma comédia romântica, o sinônimo de qualidade começa a apitar. Isso foi comprovado em títulos como “A Mentira” e, mais recentemente, em “Todos Menos Você”. Em “Só Por Uma Noite”, o conceito criado pelo roteirista Travis Braun (responsável por diversas animações, como “Monstros no Trabalho”) é bem interessante em um primeiro momento.
A história apresenta um cenário onde o sexo antes do casamento é proibido por lei nos Estados Unidos há três anos. Para ter o controle, o governo implantou na população sensores que avisam se eles estão aptos ou não a fazerem o ato coito. Porém, existe uma noite no ano em que isso é liberado, e é quando os estadunidenses aproveitam para fazer tudo o que não fizeram ao longo dos 365 dias.
Neste cenário, acompanhamos o pizzaiolo Owen (Callum Turner), que está preparado para ter uma noite de sexo com sua namorada (Maya Hawke). Porém, ela o alerta de que se programou para fazer isso com o vizinho do casal, o que o faz sair pelas ruas de Nova York à procura de uma parceira.
Ao mesmo tempo, acompanhamos a cantora Allie (Monica Barbaro), que nitidamente tem azar no amor e acaba sempre esbarrando com Owen no decorrer da noite de sexo livre.
Mesmo que o conceito usufrua de uma versão mais “safadinha” de “Uma Noite de Crime” e chame a atenção do grande público ao ouvir sua premissa inusitada, a ideia não acaba funcionando como deveria. A começar pelo fato de que este tipo de história pede a presença de nudez, e o próprio Will Gluck afirmou em entrevista à Variety que cortou todas as cenas deste teor por conta da péssima recepção do público em sessões de teste.
No entanto, parece que, quando ele realizou estes cortes, boa parte das piadas foi tirada também. Embora a história tente vender que o principal inimigo é a “censura do sexo”, pode-se dizer que o grande vilão deste filme é o humor. Em momento algum conseguimos dar uma risada ou um sorriso, nem mesmo quando Owen está atrás de uma camisinha e tenta improvisar uma usando uma luva, em uma sequência pavorosa.
O mesmo acontece com Barbaro, que parece ter se inspirado no humor da série “Fubar” (na qual contracena com Arnold Schwarzenegger), ao sequer tirar graça das situações constrangedoras que Allie enfrenta. Nem mesmo as pequenas participações de Molly Ringwald (de “Clube dos Cinco”) e da própria Hawke despertam a chance de entregar algo que funcione.
Para piorar a situação, se por um lado a química natural de Sydney Sweeney e Glen Powell (que aparecem brevemente em fotografias em aplicativos de relacionamentos) foi um dos pontos que fez “Todos Menos Você” ser um dos maiores sucessos de 2024, Callum Turner e Monica Barbaro não possuem química em absolutamente nada.
Entrando em um mérito comparativo, na recente comédia “O Convite”, temos um cenário muito mais simples e apenas quatro atores debatendo diversos assuntos de teor sexual e fazendo o público se divertir com muito mais facilidade. Não é à toa que é um dos maiores sucessos de 2026.
Mesmo que ele usufrua da famosa técnica boy-meets-girl, que é o famoso clichê das comédias românticas, em momento algum criamos alguma conexão natural por eles, embora já saibamos como a história vai terminar.
“Só Por Uma Noite” termina como uma produção que ficou apenas na promessa, pois desperdiçou uma ótima oportunidade por conta do medo de fazer piadas mais ácidas.
