Assim como o gênero de comédia, os filmes de fantasia também foram colocados de escanteio e, normalmente, direcionados para o streaming, sem sequer ter um tempo nas telas grandes. Embora tenha sido lançado nos cinemas da Europa no final de março deste ano, às salas brasileiras o receberam apenas no último dia 10 de setembro.
“A Maravilhosa Árvore Encantada” não apenas foi uma rara exceção, como também usufruiu da presença de nomes como Andrew Garfield (o segundo Homem-Aranha do cinema), Claire Foy (a jovem Rainha Elizabeth II em “The Crown”) e Rebecca Ferguson (da série “Silo”) para chamar a atenção do público.
Porém, o longa não tem feito um sucesso plausível em nenhum país por onde passou, visto que custou US$ 80 milhões e arrecadou cerca de US$ 34 milhões mundialmente. Montante que talvez seja recuperado quando ele for lançado em streaming e nas plataformas on-demand, por conta do boca a boca positivo, pois trata-se de uma bela aventura infantil.
Inspirada no livro de Enid Blyton, a história acompanha a família Thompson. Após a matriarca (Foy) ser demitida do seu emprego por não concordar com o avanço tecnológico da empresa, ela resolve ir morar com seu marido (Garfield) e os filhos em uma antiga casa de campo. Por lá, as crianças acabam descobrindo uma árvore encantada que as leva para um mundo repleto de fantasias.
É inevitável, em um primeiro momento, pensar que essa história seja uma “prima pobre” de “As Crônicas de Nárnia”, principalmente por envolver um grupo de crianças e adolescentes que vão até um mundo fantástico. Porém, o diretor Ben Gregor opta por um caminho diferente.
Como nos dias atuais essa faixa etária está cada vez mais dependente das redes sociais e abordando pautas sociais que sequer sabe como funcionam na prática, Gregor e o roteirista Simon Farnaby optam por este caminho.
Um breve momento que exemplifica isso é quando o personagem de Garfield entrega para sua filha mais velha o livro “Adoráveis Mulheres”, mas ela diz não ter interesse em ler por conta da abordagem do patriarcado.
Entretanto, essa abordagem acaba deixada de lado ao vermos os irmãos na “Árvore Encantada”, pois o foco se torna única e exclusivamente a união deles diante das adversidades propostas, visto que por lá existem diversos mundos diferentes e, para conseguirem resolver os problemas, eles devem se unir. É clichê, realmente, mas funciona dentro da proposta.
Quanto a questão de atuações, embora Foy e Garfield tenham boa química (visto que eles já trabalharam juntos no drama “Uma Razão Para Viver”), eles conseguem ser um bom elenco de apoio, visto que os destaques são os atores mirins Phoenix Laroche, Billie Gadsdon e Delilah Bennett-Cardy. Embora Rebecca Ferguson consiga roubar a cena como a Dame Snap, que se falar muito sobre ela, perderá boa parte da graça.
“A Maravilhosa Árvore Encantada” termina de uma forma que possivelmente pode emocionar os mais sensíveis, mas ao mesmo tempo traz uma bela e reflexiva lição de moral.
