Após ter uma bem-sucedida passagem pelo Festival de Cinema de Sundance 2026, a comédia “O Convite” fez bastante sucesso e foi extremamente elogiada. Logo, a produção se tornou alvo de uma verdadeira competição entre estúdios como A24, Focus Features, Apple, Netflix e Warner Bros. Pictures para distribuí-la. Porém, a primeira levou a melhor e adquiriu os direitos por US$ 12 milhões. No caso do Brasil, eles passaram a ser da O2 Filmes.
Se tratando de uma refilmagem da comédia “Sentimental”, escrita por Cesc Gay, que havia lançado esse roteiro no teatro alguns anos antes. Muitos brasileiros podem vir a se recordar do estilo de humor escrito por Fernanda Young e seu marido Alexandre Machado, que foram criadores da série “Os Normais” e exploravam os problemas íntimos e manias estranhas do casal protagonista vivido por Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães.
Aqui temos o pacato casal Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde), que resolve chamar os seus vizinhos Hawk (Edward Norton) e Piña (Penélope Cruz) para um jantar. Só que o que deveria ser uma mera interação simples entre os casais se transforma em uma situação mais bizarra, inusitada e íntima.
Sem entrar em comparativos com a obra original, o roteiro de Will McCormack e Rashida Jones (ambos de “Toy Story 4”) opta em um primeiro momento por apresentar a relação conflituosa entre Joe e Angela. Percebemos que o primeiro é o típico marido turrão, enquanto a segunda é a esposa cansada do estilo de vida padrão.
Logo, eles deixam explícito o verdadeiro motivo por trás da vontade do encontro de Joe com o casal: os barulhos durante os atos sexuais o incomodavam em sua rotina e no descanso noturno. Como Rogen e Wilde já haviam esbanjado uma ótima química na série “O Estúdio”, o que a levou a chamá-lo para estrelar como seu marido aqui, os risos começam a se tornar inevitáveis aos poucos.
Ao entrarem em cena pela primeira vez, os atores fazem o público perceber quais são as verdadeiras intenções de Norton e Cruz. Além de terem uma personalidade totalmente oposta e uma ótima química, compraram facilmente o clima satírico criado pela direção da própria Olivia Wilde.
A diretora utiliza quase sempre enquadramentos que colocam não apenas Angela, mas Joe, no centro da cena, para demonstrar que seus personagens estão divididos em uma escolha nas próximas horas. O mesmo vale para Hawk e Piña, que não poupam em intimá-los durante boa parte do tempo.
Porém, diferente dos trabalhos anteriores de Wilde como diretora, que foram “Não Se Preocupe Querida” e “Fora de Série”, este é seu longa mais simples, visto que 95% dele se passa em um apartamento e o decorrer da história depende do roteiro e das atuações dos próprios atores para conseguir reter a atenção do público.
Com piadas que mesclam o estilo pastelão e sexual, cada vez que elas são proferidas por Norton e Cruz diante de Rogen e Wilde, o riso é inevitável. Afinal, enquanto de um lado temos um casal que normaliza certos comportamentos, do outro eles possuem vontades, mas sentem vergonha de demonstrar isso.
Felizmente, como Wilde nitidamente conhece o comportamento humano, na hora de preparar o público para o último ato, que coincidentemente foi escrito pelo próprio Norton e teve muita improvisação por parte de Rogen, o grau de naturalidade na passagem soa totalmente natural.
“O Convite” termina como uma comédia bastante interessante, simples e que certamente vai continuar conquistando o público por onde passar.
