Se em 2022 grande parte dos fãs se decepcionou com o resultado de “Jurassic World: Domínio”, o diretor David Robert Mitchell (“A Corrente do Mal”) parece ter observado as constantes críticas do público na hora de conceber o roteiro de “O Fim da Rua”.
Mesclando a famosa série dos anos 80, “Além da Imaginação”, com clássicos de Steven Spielberg, como o próprio “Jurassic Park”, a produção faz jus ao entregar exatamente o que promete: uma história com ação, aventura, suspense e horror na medida certa. Algo que o próprio produtor J.J. Abrams, responsável pela franquia “Cloverfield”, comentou em uma entrevista sobre o longa.
A história se passa em 1982, quando um bairro é misteriosamente levado de volta ao tempo dos dinossauros. Logo, Denise (Anne Hathaway) e seu marido Greg (Ewan McGregor) devem se unir aos filhos (Maisy Stella e Christian Convery) para tentar sobreviver em meio ao caos.
Mitchell sabe que, para conseguir captar a atenção do público nesse tipo de premissa, é necessário entregar exatamente o que se espera: dinossauros interagindo com seres humanos em diferentes situações, sejam elas trágicas ou engraçadas.
Além de ter ido um pouco na contramão do que o próprio “Jurassic Park” apresentou, ele opta por um caminho diferente ao expor os desafios enfrentados pelos protagonistas diante das ameaças constantes. O diretor faz questão de deixar claro que não vai recorrer aos clichês habituais do gênero.
Como exemplo, o cachorro da família acaba sumindo durante a “viagem temporal” e se torna o fio condutor para que o filho mais novo vá atrás dele em determinado momento. Isso faz com que o grupo saia de casa e passe a enfrentar uma série de desafios.
Nessa jornada, a própria narrativa deixa claro que a grande protagonista é Denise e que nada será excessivamente reciclado do que vimos na produção de Spielberg. Tentando realizar o sonho de ser uma escritora de sucesso, embora as relações de sua família não estejam nos melhores dias, a atuação de Hathaway faz com que o público crie empatia por ela em poucos minutos.
No entanto, seus familiares não conseguem ter a mesma profundidade, visto que só funcionam quando estão em sua companhia, independentemente do momento.
Embora estejamos falando de um filme de apenas 95 minutos, tudo o que é necessário para conduzir a produção está presente. Existem momentos de ação e suspense em que o público não consegue desgrudar os olhos da tela. Além disso, as cenas conseguem ser aproveitadas com a melhor tecnologia possível, ou seja, se tiver a oportunidade, opte pelo formato IMAX. Inclusive, a produção teve 44 minutos filmados com esse recurso.
“O Fim da Rua” termina como uma divertida surpresa, pois parecia ser apenas mais um blockbuster genérico sobre dinossauros, mas acaba sendo melhor do que os últimos filmes da franquia “Jurassic World”.
