Trilogia de ‘Os Estranhos’ mostra o quão Hollywood está desesperada em sugar o bagaço de uma laranja podre

Em meio a uma onda crescente de reboots, a Lionsgate teve a ideia de fazer algo diferente com a franquia “Os Estranhos”: conceber uma trilogia estrelada por Madelaine Petsch (da série “Riverdale”), em que as três partes seriam gravadas de forma simultânea pelo diretor Renny Harlin. Cada uma delas seria lançada no intervalo de um ano, começando em 2024 e terminando em 2026.

Isso poderia até fazer sentido se a própria premissa não pudesse ser resolvida em um filme de duas horas. Em compensação, temos apenas a protagonista correndo e fazendo coisas estúpidas só para dar mais brechas para os assassinos do filme irem atrás dela e de qualquer um em seu caminho.

A história gira em torno de Maya (Madelaine Petsch) e seu namorado Ryan (Froy Gutierrez), que são obrigados a ficar em um Airbnb no meio da floresta depois que o carro deles quebra. Então, eles passam a ser confrontados por um trio de assassinos mascarados que os quer mortos a qualquer custo.

A parte mais engraçada dessa trilogia chamada “Os Estranhos” é que, no prólogo do segundo capítulo, ela já quebra essa premissa de os assassinos serem desconhecidos, pois faz questão de revelar quem são eles e o porquê de cometerem tais atos.

Embora em momento algum nos interessemos por isso, muito menos torçamos por Maya e seu namorado Ryan (que toma as decisões mais estúpidas no primeiro capítulo), tudo soa como “a franquia está estabelecida e os fãs vão comprar qualquer coisa”. No entanto, não é assim que a banda toca.

A começar que, mesmo que sejam inseridas algumas cenas de violência brutal, como este tipo de título pede, a jornada de Maya fugindo dos “estranhos” não apresenta uma justificativa que a faça ser dividida em três filmes de 90 minutos cada.

Para piorar a situação, as atuações não são apenas canastronas, mas chegam a dar vergonha alheia em algumas situações. Um exemplo é um flashback que envolve os assassinos quando eles eram crianças. Parece que o filme teve medo de fazer algo como foi em “Halloween: O Início” (que mostrava a infância de Michael Myers) e optou por uma versão mais pobre disso.

Só que, mesmo que o roteiro ainda tente “passar pano” para os assassinos ao tentar estabelecer essa ponte de proximidade, não conseguimos sequer criar um fio de afeição que não seja pelos créditos finais, que parecem demorar três anos para chegar em cada um dos capítulos.

A trilogia de “Os Estranhos” parece ter sido feita no modo e no pensamento de fast-food, pois, mesmo com o estúdio acreditando que a ideia seria um sucesso, as bilheterias mostraram o oposto. Enquanto o primeiro lucrou cerca de US$ 48 milhões, o segundo conseguiu US$ 21 milhões e o terceiro US$ 11 milhões, sendo que cada um custou US$ 8 milhões, ou seja, o público cansou de ser feito de trouxa.