Novo ‘Resident Evil’ explora a essência dos games com bom humor

Após o sucesso de “Hora do Mal” e “Noites Brutais”, o cineasta Zach Cregger resolveu colocar em prática uma ideia inusitada: trazer a sua versão de “Resident Evil” para as telonas, inspirada em uma ideia dele próprio. Quase a mesma coisa que Chris Rock fez em “Espiral: O Legado de Jogos Mortais”, em 2021. O escopo era praticamente o mesmo, mas sem os personagens originais.

A história começa com o entregador Bryan (Austin Abrams), que é encarregado de levar um órgão de um hospital para a cidade de Raccoon City. Só que ele não imaginava que encontraria um cenário pós-apocalíptico por lá e criaturas extremamente brutais.

Nesta versão escrita por Shay Hatten (da saga “John Wick”) e Cregger, temos os principais conceitos dos jogos, como a caixa médica verde, os cadeados que se abrem apenas com chaves, os zumbis que se transformam em monstros, a máquina de escrever no cenário e os cachorros que viram criaturas violentas. Em um primeiro momento, poderá causar estranheza aos fãs que queriam ver algo idêntico ao jogo.

Porém, estamos falando de uma história principal que já foi adaptada mais de uma vez para os consoles e teve uma versão recente no cinema em 2021 (que mudou diversas coisas, mas ainda assim tem os mesmos personagens). Tirando os seis filmes com Milla Jovovich, que arrecadaram US$ 1,23 bilhão mundialmente, a Sony parecia querer agradar aos fãs sem trazer a mesma história dos games.

Sendo assim, Cregger resolve causar uma imersão na qual vemos um jogador de primeira viagem personificado no protagonista, o qual cai de paraquedas em um cenário caótico e precisa tomar diversas decisões por impulso.

Neste contexto é que entra o humor, pois Bryan toma as piores decisões durante os quase 90 minutos de projeção. Sendo assim, vemos o personagem tomar atitudes estúpidas, como jogar para longe a única escada pela qual ele poderia descer de um celeiro ou até mesmo “dar carona” para uma mulher que estava nitidamente infectada. Isso porque citei apenas coisas que aconteceram nos primeiros minutos.

Assim como nas outras produções do universo, há uma grande presença do sangue e que é jorrado de forma cartunesca em muitas das partes e são favorecidas pelo uso positivo do CGI. Há o desconforto, mas muito pelos scary-jumps que são bem executados pelo diretor, pois eles sempre chegam sem ter o famoso “aviso prévio”.

O novo “Resident Evil” opta por tratar sua narrativa como se fosse uma pseudo-sátira dos games, que consegue funcionar por conseguir andar na mesma linha do material original.