Não é novidade que a Netflix está expandindo o seu universo de true crime, depois do sucesso de séries como “Monstros”. No meio deste montante, e com a obrigação de trazer conteúdos brasileiros, a plataforma realizou “Elize: Sombras de Uma Mulher”.
A premissa acompanha o que levou Elize Matsunaga, interpretada por Lorena Comparato, a esquartejar o marido Marcos Matsunaga (Henrique Kimura) depois de uma discussão em 2012. Embora seja uma história recente e conhecida pelos brasileiros, principalmente depois dos podcasts com nomes como Ulisses Campbell e Beto Ribeiro, trazer algo relativamente novo para esse tipo de filme se torna um desafio.
Infelizmente, Raphael Montes (responsável pela novela “Beleza Fatal”) e Mariana Torres (“Os Donos do Jogo”) parecem ter tido como base apenas os argumentos ditos nos programas de podcast ao conceber o roteiro deste filme, assim como no documentário da própria Netflix, “Elize: Era Uma Vez Um Crime”, que foi estrelado pela própria em 2021.
Ao longo dos 90 minutos de duração, acompanhamos exatamente o que cansamos de ouvir sobre essa mesma história: o empresário que tira Elize da prostituição e a faz ter uma vida de luxo. Depois, eles começam um conflito, pois ela queria engravidar e não conseguia, ao mesmo tempo que ele mantinha casos com várias prostitutas.
Porém, existem algumas situações que poderiam ser exploradas na história e são deixadas de lado, soando apenas como algo “rasteiro”. Um exemplo é a situação do pai de Elize, que aparece de forma aleatória sem que o roteiro explique quem ele é e qual o passado de ambos. Outro tópico deixado totalmente de lado é que ela realmente tinha tido formações acadêmicas, graças ao próprio Marcos.
Parece que a história quer única e exclusivamente achar uma justificativa positiva para o crime que Elize cometeu em relação ao marido. Nada mais além disso. Embora Lorena Comparato esteja excelente no papel e consiga transitar facilmente da água para o vinho, o seu material em si não era bom.
“Elize: Sombras de Uma Mulher” poderia ter entregue algo tão impactante como vimos em séries como “Monstros”, mas, infelizmente, fica preso em uma zona de conforto.
